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FABIO HAZIN – ESTRELANDO PERNAMBUCO

(publicado no Diário de Pernambuco, de 09.06.2021)

Jacques Ribemboim, Professor Titular da UFRPE.

Que perda terrível. Para a família, para os amigos, para o Brasil. Ainda sem querer acreditar, deparo-me com a triste notícia. Evanescem-me as palavras, porém as lembranças e a saudade continuam firmes, rememorando Fábio Hazin sempre no auge de sua carreira, sorridente, solícito e dedicado. Como descrever esse gigante moral e intelectual? O Departamento de Pesca e Aquicultura da UFRPE nunca mais será o mesmo, embora saibamos que seus colegas conseguirão manter a excelência de ensino e pesquisa que caracterizam o órgão.

Seu currículo Lattes nos informa uma fração da sua produção intelectual. Duzentos e dezoito artigos em revistas científicas, trezentas e setenta e duas apresentações em congressos, muitas publicações em parceria com colegas e alunos. Isso afora as centenas de orientações de monografias, dissertações e teses doutorais. A monumentalidade da sua obra é simplesmente incomensurável.

Como se não bastasse a performance científica, Fábio era um amante das artes, da literatura, das línguas. Escreveu contos e poesias. Dominava o inglês, o francês e o espanhol. As Nações Unidas reconhecendo sua capacitação, nomearam-no para altos cargos. Foi presidente do comitê de pesca da FAO e presidente da ICATT – Comissão Internacional para Conservação do Atum Atlântico. Aqui no Brasil, foi Secretário Nacional da Pesca e ocupou interinamente a pasta ministerial do setor pesqueiro, além de ter sido presidente da Associação Brasileira de Engenharia de Pesca e diretor do Departamento de Pesca e Aquicultura da UFRPE.

Em Pernambuco, tornou-se conhecido do grande público por suas entrevistas na televisão, respondendo questões sobre os ataques de tubarão, assunto de especial relevância no estado. Os elasmobrânquios eram sua especialidade, porém os que lhe eram próximos sabiam da amplitude maior de suas pesquisas, abrangendo diversos outros representantes da fauna marinha, principalmente os atuns e afins.

Engenheiro de pesca, com os títulos de Mestre e Doutor em Ciências Marinhas pela Tokyo University of Fisheries, com pós-doutorado no Centro de Ciências Pesqueiras da Flórida, este amigo muito me honrou em certa ocasião assinado uma das orelhas do meu livro Economia da Pesca Sustentável no Brasil, lançado no Recife, em 2010.

Nós pernambucanos às vezes demoramos para dar conta de nossos verdadeiros grandes nomes, cientistas ilustres e autênticos que merecem toda a deferência. Distantes de alguns canastrões que aparecem por aí, à cata de holofotes. A população precisa saber quem foi o professor Fábio Hazin e da real dimensão de seu legado.


BRZL – UMA TERRA PARA OS FILHOS DE ISRAEL – Teria sido o Brasil a Terra Prometida no Ocidente para os judeus na Europa do século XV? Leia o artigo publicado no Diário de Pernambuco. Clique aqui:  https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/opiniao/2020/03/b-r-z-l-uma-terra-para-os-filhos-de-israel.html

REYNALDO FONSECA – Publicado no Diário de Pernambuco, 30.07.2019,  Artigo de Jacques Ribemboim, leia na íntegra:

Ao final dos anos sessenta e por toda a década seguinte, a Galeria Ipanema, no Rio de Janeiro, deteve a exclusividade de sua obra. Comprava-lhe tudo o que conseguisse pintar e soube muito bem valorizar o artista. Dez dentre dez socialites cariocas desejavam adquirir um Reynaldo. Impensável, um chá entre amigas, sem exibi-lo na parede.

Os preços foram subindo. Mil dólares, quatro mil, quinze mil. Eu até tomei coragem, no ano de 2009, disputando um de seus famosos gatos pintados a óleo sobre tela no leilão da galeria Pallon, no Recife. Mas perdi-o para Emerson Leão, que havia sido goleiro da seleção brasileira e viera treinar o Sport. E lá se foram os dois, Felis catus e Felis leo, felizes, residir em São Paulo.

Há cerca de cinco anos, entrevistei o artista. Precisava de informações para o livro que eu escrevia com Wilton de Souza, “Boa Vista – Berço das Artes Plásticas Pernambucanas”, lançado em 2014. Ele me recebeu em casa, no Edifício Príncipe de Toscana, nome que me soou como em honra ao ilustre condômino.

Com idade avançada, o pintor apresentava restrições físicas. Já não conseguia subir sozinho a escada helicoidal para o segundo andar da cobertura, onde ficava seu ateliê. Mas no trabalho, continuava incansável, do alvorecer ao lusco-fusco.

Seus olhos brilharam quando falou da infância. Deu um pulo à estante e retirou o velho álbum onde guardava seu primeiro desenho, feito aos cinco anos. Em lápis de cor, uma criança de chapéu e roupa de inverno. Ali estava a sua preciosa lembrança de menino, a inocência, os sonhos, a mãe presente, incentivando-o a desenhar. Ali estava seu Rosebud.

Reynaldo de Aquino Fonseca nasceu no bairro da Boa Vista, em 1925. Ao que tudo indica, na Rua da Matriz (“não me lembro do nome, mas era perto da Maciel Pinheiro, uma rua que vem assim, pelo lado da igreja”). O pai perdeu o emprego na crise de 29 e todos foram morar com os avós. De lá, partiram para uma temporada em Campina Grande de onde voltariam dez anos depois.

Sobre o pintor, muitos o relacionam acertadamente à escola flamenga ou à renascentista. Poucos sabem, porém, que Reynaldo foi também um vanguardista, tendo estudado com Cândido Portinari e participado da Sociedade de Arte Moderna do Recife que, mais tarde, daria origem ao Atelier Coletivo – “Os loucos da Rua Soledade”, como noticiavam os jornais da época. Aquela geração do bairro da Boa Vista simplesmente plasmou a arte pernambucana do século 20, fê-la díspar e autóctone.

Em sua escrivaninha, um pesado tomo de Vermeer, seu mestre inspirador. Um espírito como o de Reynaldo não se manteria incólume aos grandes da Holanda. Nem aos renascentistas do quatrocento e do cinquecento: Hans Holbein, por exemplo, emprestou-lhe Edward VI as a child, como modelo para as tantas crianças que retratou (criancinhas nada ingênuas, de olhar enigmático, às vezes sinistro).

Reynaldo passou por muitos dos “ismos” do século 20 quando a maioria de nós sequer era nascida. Foi parnasiano e moderno a um só tempo, pintando também telas futuristas, abstratas e geométricas (bem menos conhecidas do público). Mas foi o seu pincel neoclássico-flamengo quem o inscreveu no panteão da arte brasileira. E por contraditório que seja, pernambucanissimamente.

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Após o  livro, foi lançado o site especial “UM FORTE SOBRE AS ÁGUAS”, enfocando o Forte do Picão, que se encontra no brasão do Recife e no brasão de Pernambuco, mas foi impiedosamente demolido na reforma portuárias de 1910. Clique na figura ou no link e visite o site:

OLYMPUS DIGITAL CAMERA  https://fortedopicao.com/

GUITA CHARIFKER

Publicado no Diário de Pernambuco de 04/02/2017

guita-foto-tratadaNuma madrugada de sessenta e quatro, Abelardo da Hora bateu-lhe à porta pedindo socorro. Estava a pé, ofegante, fugindo da polícia repressiva. Guita Charifker não titubeou um só instante em levar o amigo de carro para bem longe, onde pudesse se esconder por uns tempos. Essa história me foi contada pelo próprio Abelardo, ressaltando sempre a coragem de Guita em ter se arriscado para salvá-lo.

Uma das poucas pintoras pernambucanas que conseguiram obter reconhecimento nacional. Em 2003, a artista foi não menos que aclamada pela crítica durante sua exposição individual na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Atualmente, suas aquarelas com predomínio de verdes, vermelhos e laranjas, suas telas, seus desenhos surreais em bico de pena, podem ser encontrados nos principais acervos museais brasileiros.

Guita Charifker constitui, ainda, a representação máxima do que se poderia chamar de sincretismo judaico-nordestino, alinhavando elementos da sua infância ao admirável mundo novo do regionalismo tropical. É notável a infinidade de signos e elementos místicos ou religiosos presentes em sua obra, inclusive os de matriz africana e indígena. São cartas de tarô, tatus, búzios, santos, paisagens nordestinas povoadas de cajueiros e plantas. A artista chegaria mesmo a passar um bom período da vida recolhida a um convento de freiras.

Nascida em 1936, teve a infância e adolescência vividas no bairro da Boa Vista, epicentro de tudo o que se produzia em termos de arte e literatura no Recife. Após se casar com Júlio Charifker (seu nome de solteira era Guita Greiber), em 1959, mudou-se para a Rua do Sossego, onde instalou seu ateliê de trabalho na garagem de casa. Decorridos quinze anos, transferiu-se para Olinda, à procura de um ambiente mais inspirador para seus quadros. Antes disso, na década de cinquenta, frequentou o Atelier Coletivo, sob a batuta de Abelardo da Hora e tendo como colegas, Zé Claudio, Gilvan Samico, Wilton de Souza e Wellington Virgulino, dentre tantos jovens artistas que viriam simplesmente revolucionar a arte pernambucana.

Guita Charifker considerava-se uma descendente de Branca Dias da Paraíba, ou mesmo sua reencarnação. Um alter ego muito bem pinçado por uma mulher que em pleno século 20 teve a mesma ousadia daquela que, trezentos anos antes, enfrentara a fogueira da Inquisição para não trair seus ideais. Pois esta mulher ousada, esta artista incomum, a mocinha de tranças que passeava às tardes na Praça do Derby com uma multidão de amigas, nossa Branca, atendeu ao convite dos céus e eternizou-se nesta sexta-feira, véspera do shabat. Em credos distintos, em línguas diversas, em corações sinceros, será para sempre festejada.

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FELIZ NATAL E CHANUKÁ SAMEACH!

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Jacques RIbemboim, diretor da Synagoga Israelita do Recife.

Neste ano de 2016, a noite de Natal coincide com o primeiro dia de Chanuká, festividade judaica que comemora a libertação do templo sagrado, no ano 165 AC. Naqueles tempos, a Terra de Israel estava sob domínio selêucida do imperador Antíoco Epifânio, que intentava helenizar os judeus valendo-se de toda crueldade, ordenando que o templo fosse profanado com estátuas de deuses gregos.

Na cidade de Modin, perto de Jerusalém, a família de Judá, o Macabeu, decidiu organizar a resistência e conseguiu uma surpreendente vitória contra os gregos. Ao retomarem o templo, quando tentaram acender as luzes sagradas, perceberam que o óleo purificado só daria para um único dia e que não haveria tempo suficiente para providenciar um novo estoque. Contrariando as expectativas, o azeite ardeu milagrosamente por oito dias, um sinal de que Deus estava com o povo.

A vitória dos macabeus contra o poderoso exército invasor fez ressurgir uma nação que não gozava de liberdade desde a queda de Jerusalém frente os babilônios, em 586 AC. E o novo reino dos asmoneus, instalado por Simão, um dos irmãos de Judá, permanecerá independente por cento e três anos, até a chegada dos romanos (desde então, os judeus só voltariam a conquistar sua independência em 1948, com o advento do moderno Estado de Israel, quase dois mil anos depois).

Durante o acendimento das velas de Chanuká, uma oração relembra a perseguição por príncipes estrangeiros. Não foram poucos os que tramaram contra o povo judeu. Faraós do Egito, Nabucodonosores, Hamans da Pérsia, Antíocos Epifânios e Titos de Roma, diásporas, inquisições e pogroms. Tantos foram os Hitlers, Nassers, Sadam Husseins e Armadinejavs. Todos passaram. E os filhos de Israel permaneceram. Am Israel chai le olam vaed. Está escrito.

A data possui um significado bíblico e forte conteúdo espiritual. Rememora-se a liberdade duramente conquistada. Renovam-se as esperanças, mesmo nas piores adversidades. Durante os oito dias de comemoração, brilha a chanukiá, candelabro de nove velas, incluindo a do shamash, que serve para acender as demais. No primeiro dia, acende-se o shamash e mais a primeira vela. No segundo dia, o shamash e duas velas mais, e assim por diante, até que no oitavo dia, a chanukiá reluz por inteira.

Registre-se que a última vez em que o Natal e Chanuká coincidiram no mesmo dia foi em 1978, e a próxima será em 2027, pois o calendário israelita é lunar, diferentemente do gregoriano, que atende à órbita em torno do sol. Em ambas as celebrações, o momento é de reflexão, alegria, solidariedade e amor ao próximo. Muita comida entre familiares e amigos, em casa, na igreja ou na sinagoga. Na tradição judaica, as crianças e os não diabéticos se esfalfam em doces, muitos doces, principalmente nos sufganiot (sonhos fritos).

Possuindo origens distintas, o Natal e Chanuká adquiriram uma mesma essência. Que neste 25 de dezembro, que é também o dia 25 de kislev, batamos de porta em porta oferecendo nossas mãos. Que as luzes da cristandade e do judaísmo possam se misturar às de todas religiões, credos, ideologias e convicções. Feliz Natal e Chanuká sameach!

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A seguir, artigo da Revista Morashá:

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OPINIÃO/Diario de Pernambuco, 16/08/2016

Acerca das Olimpíadas

JACQUES RIBEMBOIM, Economista ambiental

“Que as medalhas conquistadas nos sirvam de estímulo para mais solidariedade social, defesa ambiental, dedicação aos estudos e ao trabalho”

Do espírito olímpico dos tempos de Coubertin, pouco resta nos corpos cientificamente esculpidos dos atletas. Os patrocinadores querem retorno. Os cartolas, vantagens. Os competidores, dinheiro e fama. E o público em geral, entretenimento e assunto para o dia a dia.

Antes disso, quando o mercado ainda não se tornara o todo-poderoso de nosso dias, as ditaduras de direita e esquerda usavam e abusavam das olimpíadas como propaganda ideológica. Hitler o fizera em 1936, e nas décadas subsequentes países como Cuba, Polônia, Alemanha Oriental e União Soviética angariavam corações e mentes na proporção dos pódios conquistados. Hoje, o totalitarismo é do mercado.

Que a prática esportiva seja desejável, enriquecedora e salutar, não restam dúvidas. Desde os gregos, mens sana in corpore sano, receita da vida longa e feliz. Mas a deformação dos músculos e a obsessão mental a que se submetem tantas juventudes roubadas é uma questão a se refletir. Muitas histórias de superação, muito romance, mas quantas frustrações reais não teriam ficado no meio do caminho? Os atletas de renome, estes transformados em semideuses e marcas de refrigerante. Difícil imaginar outro setor tão atraente para o mercado. Enquanto isso, no Brasil, investe-se pouco no aprimoramento educacional e cultural da população.

Para os atuais jogos, avulta a gastança pública. Tal como aconteceu na Copa do Mundo, um dinheirama desperdiçado em um país de premências. Parcela considerável da nossa energia drenada para instalações faraônicas, em meio ao constrangimento das desigualdades sociais, da violência urbana, da recessão econômica, da corrupção que enjaula políticos e empresários.

Para esta Olimpíada, o governo brasileiro e as empresas privadas cuidaram de enviar atletas para treinar no exterior. Todo cuidado é pouco para evitar outro vexame de sete a um. A bem da verdade, nosso país nunca atingiu performances de escol. Nos jogos de Londres, classificou-se em vigésimo segundo, mas se o ranking fosse de medalhas por habitante, restaríamos em sexagésimo nono, posição não muito diferente da que ocupamos na classificação do IDH – Índice de Desenvolvimento Humano.

Em meio a tanto pessimismo, vale buscar o de mais positivo na grande festa desportiva, alegria e sopro de esperança. Que as medalhas conquistadas nos sirvam de estímulo para mais solidariedade social, defesa ambiental, dedicação aos estudos e ao trabalho.

Conseguiremos?

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HUMBERTO FRANÇA – EMBAIXADOR DA NEOLATINIDADE

revista A Palavra

GEONOMÁSTICA PERNAMBUCANA

   (Diário de Pernambuco: 08.04.2016)

artigo geonomástica

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UM PARQUE NO CEMITÉRIO – DIÁRIO DE PERNAMBUCO

11/03/2016

um parque no cemitério 11032016

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Diário de Pernambuco, 24.02.2016

GOIANA DA GENTE QUERIDA*

Jacques Ribemboim, economista ambiental e engenheiro de petróleo.

Na Revista do Instituto Arqueológico Pernambucano vol.XXIX, de 1928, Mário Melo escreveu que o nome da cidade de Goiana provinha do tupi e derivava de uma espécie de goiaba típica da Mata Norte, fato que ensejou veementes protestos dos intelectuais do município, tendo à frente Ângelo Jordão Filho, autor do livro Povoamento, Hegemonia e Declínio de Goiana. O grupo defendia a tradução de Varnhagen, segundo o qual, o nome quer dizer “gente estimada”.

Não obstante a reação dos goianenses, Mário Melo não voltaria atrás, alegando que “guaia” significava “roliço” e que o monossílabo “na” designava “semente”. O jornalista chegou a dizer que Varnhagen podia entender de história, mas não de nhengatu (língua tupi), e evocou Batista Caetano, renomado tupinólogo, que corroborava a tese de que “guiá” era uma fruta do gênero psidium, do tipo das goiabas e araçás. Destacava, ainda, que o próprio Rodolpho Garcia, da Academia Brasileira de Letras, confirmava sua versão.

Apesar da certeza de Mário Melo (sempre polêmico), não se pode garantir nem mesmo que a goiabeira seja nativa das Américas e, se assim o for, o nome goiaba parece ter sido importado na América Central.

Consta que foi Gabriel Soares de Souza quem fez o mais remoto registro do termo, em seu Tratado Descritivo do Brasil, datado de 1587, e quatro décadas depois, um outro cronista de época, Frei Vicente do Salvador, em sua História do Brasil, de 1627, daria a primeira explicação para o topônimo pernambucano Gueena, como sendo “ancoradouro em um vale”, do tupi “gua yai”.

Para emaranhar o debate, Teodoro Sampaio, grande especialista em línguas brasílicas, comenta em seu Dicionário Histórico, Geográfico e Etnográfico do Brasil, de 1922, que o nome talvez derive de uma planta local ou que provenha de “gueena”, gerúndio de “gueê”, cuja tradução seria algo como “vomitando”.

Neste ponto, Mário Melo retorna à cena evocando um certo Benjamim Solari, que teria proposto a tradução “terra onde abundam as águas”, versão até hoje bastante aceita entre os goianenses. Ao que tudo indica, porém, teria agido por ironia, posto que Solari era um artista argentino, que tinha fama de profeta, ouvindo vozes do além e tendo visões. E como se não bastasse, lucubrou que Goiana poderia significar, quem sabe, “flor da cana” (note-se que Mário Melo concedeu nomes oficiais a muitos municípios pernambucanos, usando termos do tupi, no período em que chefiou a Comissão de Reforma Administrativa do Estado, entre 1938 e 1942).

Para acalorar o debate, vamos aqui levantar duas novas hipóteses. A primeira, de que o termo provenha do hebraico “gói ani”, no plural “goim aniim”, que significa “gentio pobre”. Sabe-se que, no século 16, havia em Tejucupapo e seus arredores uma comunidade cristã-nova judaizante, inclusive com sua pequena esnoga, no partido de cana de Diogo de Paiva. Destarte, os índios seriam este “gentio pobre”, de hábitos primitivos frente aos padrões europeus.

A segunda hipótese é a de que o nome tenha sido dado por franceses que por ali faziam contrabando de pau-brasil deste os primórdios da colonização. O termo teria origem no gascão “Guyenne”, como era conhecida a região da Aquitânia Francesa, em sua porção atlântica, durante o apogeu náutico de suas principais cidades.

Enquanto o debate continua por aqui…, lá na Guiana (Francesa), país limítrofe ao norte do Brasil, chegou-se a um consenso, por mais esdrúxulo que possa ser: o termo “Guiana” vem de idioma local e quer dizer “aquilo que não tem nome”. E ponto final.

(*) Este artigo é uma homenagem ao centenário Instituto Histórico de Goiana e seus sócios, na pessoa do presidente Harlan Gadelha Filho.

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Jornal dos Commercio, 05.02.2016

TOTONHO E ZEZÉ

Jacques Ribemboim, economista ambiental e engenheiro de petróleo

Eram dois irmãos curumins a correrem soltos pelas matas, onde voavam papagaios e soprava a brisa fresca de paranã. Chegaram os portugueses e os batizaram com nomes de santos, Antônio e José. Com o tempo, os meninos se tornaram guerreiros fortes e lustrosos. Vieram os holandeses e os subjugaram à força dos canhões. Tornaram-se calvinistas, mas se ouvia dizer que Antônio flertava com o judaísmo e José simpatizava com religiões africanas. Tendo ido embora os batavos, os dois se decidiram pelo ecletismo de todas as cores e etnias.

Estamos falando dos bairros de Santo Antônio e São José, de importância fulcral no desenvolvimento do Recife, territórios de luta, heroísmo e fé, núcleo duro da mais autêntica pernambucanidade.

Acerca deles, foi realizado o projeto “Levantamento do Patrimônio Imaterial dos Bairros de Santo Antônio e São José”, cujo relatório final será transformado em livro (Funcultura/PE). A grandiosidade histórica e afetiva destes lugares impressionou até mesmo a experiente equipe multidisciplinar que concluiu o estudo.

No começo do século 17, quase nada havia por ali, apenas umas poucas plantações de cana, alguns pomares e casebres em torno do convento franciscano. Faziam navios na então chamada “Ilha de Antonio Vaz”, escolhida por Nassau para ser a sua Mauritzstaad, erguida em moldes europeus, com palácios, jardins, canais, ruas planejadas, cercada de muros e fortificações.

Após a expulsão, as terras foram gradativamente ocupadas para fins residenciais e comerciais, assumindo, os dois bairros, distintas vocações. Santo Antônio será o preferido das famílias abastadas, para onde fluirá o comércio elegante e onde se instalarão as atividades administrativas e jurisdicionais da província, os escritórios, o teatro. São José, por sua vez, parece se destinar aos menos endinheirados, ao comércio popular, aos armazéns de miudezas, à religiosidade, aos folguedos, a moradias de escravos alforriados, imigrantes e gente do interior.

Hoje, os transeuntes apressados não se apercebem deste passado. Santo Antônio e São José não se resumem ao desfile do Galo ou para onde se vai reconhecer firma em cartório ou comprar remédio caseiro. Há muito de imaterialidade em suas ruas e calçadas, em seus recantos e recônditos. Na Campina do Taborda, os holandeses entregaram as chaves da cidade após a rendição. Junto ao Forte das Cinco Pontas, Frei Caneca foi fuzilado sob comoção do Recife, enquanto na Praça da República (antigo Largo do Erário) eram supliciados outros mártires de 17 e 24. Na Pracinha do Diário, atualmente palco folias e fanfarras, havia a famigerada “polé”, instrumento de tortura para punir escravos e criminosos comuns.

E são muitas, também, as lembranças boas de anos nem tão remotos. Bondes, charretes, teatros, hotéis, festas. Na lâmina d´água do Estelita, amerissavam os primeiros aviões que chegavam ao Recife. Na Estação Central, trens pioneiros levavam abraços da capital e do interior. E o Mercado de São José, verdadeiro bálsamo para os que o frequentavam em áureos tempos. E ainda hoje, nos dias atuais, quantas sensações, cores, cheiros, sabores e sons naquelas redondezas!

Há muito por contar sobre estes bairros irmãos, os nossos Totonho e Zezé. Nascidos índios, batizados portugueses, amamentados por mãe negra, sequestrados por holandeses e finalmente declarados livres pelos pernambucanos. Saberão, as gerações atuais e futuras, guardá-los de novos perigos?

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Diário de Pernambuco 16/01/2016

ALLEGRO MA NON TROPPO

Jacques Ribemboim, economista ambiental e engenheiro de petróleo.
 

Com relação às olimpíadas que se aproximam, no Rio de Janeiro, o evento constitui uma oportunidade única para que a cidade se torne mais justa, limpa e segura. Beleza não lhe falta. Sempre considerei o Rio entre as mais bonitas do planeta, imbatível no quesito paisagem natural.

Não me esqueço das aulas de educação física na quadra de cimento da UFPE, anos setenta. A gente ia fazer ginástica, todo mundo de short e camiseta branca com o emblema da universidade no peito, onde se lia virtus impavida (virtude sem medo) e, nas costas, outra citação em latim, mens sana in corpore sano (mente sã em corpo são).

O exercício físico e a prática esportiva complementam um espírito saudável, disso ninguém duvida, mas confesso certa predileção pelo exercício intelectual, pela leitura, o aprendizado, a lucubração. Acho que nós, judeus, talvez sejamos assim, gostamos de esportes, mas adoramos os estudos. Freud afirmava isso abertamente. A opção pelo intelecto em lugar do corpo é também defendida pelo amigo e escritor Ronaldo Correia de Brito, em artigo da Revista Continente, ele mesmo um provável descendente de israelitas do Ceará.

A esperança é que aconteça ali o que aconteceu a Barcelona, em 92, quando a capital catalã se tornou um centro mundial de referência para o desenvolvimento. Deixaríamos de ter um “Rio-Babilônia” para termos um “Rio-Barcelona” (Rio Babilônia era o nome de um filme nacional de 1982 denunciando o cinismo social da Cidade Maravilhosa).

Oportunidade, também, para o crescimento esportivo do país, como um todo. Em nosso retrospecto olímpico, afora todas as deficiências, há um aspecto positivo a ressaltar: a performance brasileira nas modalidades jogadas em equipe (voleibol, futebol e basquete). De maneira geral, contudo, a mídia e o governo tendem a sobre-explorar nossos resultados em competições internacionais.

Em um artigo que escrevi acerca das Olimpíadas de 2012, atentava para os riscos de que as estatísticas divulgadas por meio de um “quadro de medalhas” pudessem embaralhar os créditos, levando o público a conclusões precipitadas, inclusive acerca da existência de supernações esportivas, como os Estados Unidos e a China, primeiro e segundo no ranking oficial das competições de Londres.

Se levássemos em conta um “quadro de medalhas per capita”, estes países ocupariam modestos quinquagésimo primeiro e septuagésimo terceiro lugares, respectivamente. Aliás, se a classificação fosse ordenada por este critério, os verdadeiros campeões seriam Granada, Jamaica, Trinidad e Tobago, Bahamas, por sinal, todos de maioria negra. E neste caso, o Brasil despencaria do vigésimo segundo para sexagésimo nono, atrás da nossa arquirrival esportiva, a Argentina (pois, conquistamos apenas uma medalha para cada grupo de nove milhões de habitantes). Israel, então, coitado, terra de judeus, não ganhou um bronze sequer, embora detenha onze prêmios Nobel!

Em um país onde todo mundo já está farto de ouvir tanta notícia ruim sobre zika, chikungunya, corrupção e desgovernos, nunca é de menos redobrar cuidados para que a emoção do esporte não desvie as atenções dos grandes problemas nacionais e que o excesso de ufanismo não varra para debaixo do tapete nossas mazelas mais esquizoides. Em ano eleitoral e olímpico, alerta total para não retroceder ao pão e circo. Allegro, si, ma non troppo.

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HOMENAGEM A HUMBERTO FRANÇA:

VII CONGRESSO DO FESTLATINO – MOVIMENTO DE LÍNGUAS NEOLATINAS

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO, 22 A 24 de outubro de 2014, Recife.

programa do festlatino em jpeg

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ACERCA DO CAIS JOSÉ ESTELITA

Jacques Ribemboim, Economista ambiental, Presidente da ONG Civitate.

Há horas em que calar é mentir. O provérbio basco tem razão. E na questão do Cais José Estelita está em jogo não somente a história, a cultura, a paisagem, mas a dignidade pernambucana. Ainda há tempo. É preciso agir com firmeza para se evitar a perda irreversível deste espaço tão precioso.

Vamos recapitular o problema. Em 2008, a área foi arrematada em leilão pela quantia de cinquenta e cinco milhões de reais, pagos à antiga proprietária, a Rede Ferroviária Federal. Os novos donos, que compõem um consórcio do ramo imobiliário, propuseram o projeto “Novo Recife”, um conglomerado de doze arranha-céus, entre edifícios de apartamentos, residenciais de luxo, escritórios e um hotel. Tudo, talvez, dentro da legalidade, mas totalmente fora do contexto de preservação histórica, paisagística ou de desenvolvimento socioambiental.

Tenho me manifestado publicamente contra o projeto, a começar do nome. Este não é, em absoluto, o “novo” que desejamos para nossa cidade. O que há de especial em um conglomerado de torres envidraçadas que agridem a singeleza do velho bairro de São José? O que de belo pode restar na contemplação daquela paisagem bucólica, palco de tantos episódios de nosso passado?

Chega de cinismo, basta de promiscuidade! O povo não merece ser regido por aqueles que financiam campanhas eleitorais. O terreno do José Estelita precisa ser desapropriado e convertido em um parque estadual de referência, antes que seja tarde. Aqui não se apregoa insegurança jurídica ou alteração das regras do jogo. Os atuais donos devem ser indenizados pelos custos incorridos. Afinal, o que vem a ser 55 milhões de reais, quando foram gastos 700 milhões em um estádio de futebol para a Copa do Mundo?

Há horas em que calar é ferir. Se a população vier a perder o Cais José Estelita, terá sido por culpa do poder público. A ele compete defender o interesse comum. O consórcio arrematante é mero cúmplice deste crime de lesa-cidadania: como qualquer grupo privado, busca tão-somente maximizar seus lucros. E o fará, caso não seja refreado pela sociedade organizada ou pelo Estado diligente. Portanto, que se façam escutar o clamor da juventude e o grito de tantos artistas e intelectuais.

Naquelas terras, conquistadas aos índios, conquistadas aos portugueses, conquistadas aos holandeses, nasceu um Pernambuco eterno e pujante. De todos e para todos. Naquelas redondezas deu-se a rendição dos holandeses. Naquele solo fuzilaram Frei Caneca. A estes mártires, devemos satisfação.

Há horas em que calar é morrer.

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PARQUE HISTÓRICO ESTADUAL DA CAMPINA DO TABORDA

Por Jacques Ribemboim, Economista ambiental, Presidente da ONG Civitate.

Em 1654, na Campina do Taborda, reúnem-se as tropas holandesas e pernambucanas. O general invasor traz nas mãos as chaves da cidade e as entrega ao marechal-de-campo Francisco Barreto de Menezes. Está selada a rendição.

Cento e setenta e um anos depois, um padre carmelita é condenado à forca. Os algozes de ofício se recusam a executar o Frei Caneca. Rapidamente, a pena é comutada para fuzilamento e, sob os tiros do pelotão, jaz inerte o líder da Confederação do Equador.

Passa o tempo. Trinta anos. Naquele lugar, são instalados trilhos de ferrovias. A novidade à época! Por trens chega o açúcar produzido nos engenhos para embarque rumo à Europa. Por trens as pessoas vão e vêm em seus afazeres cotidianos.

Decorrem outros tantos: setenta anos. A cidade agora está em rebuliço. Ao Cais José Estelita afluem milhares de pessoas para ver os aviões amerissarem. Em frente, nas águas plácidas do estuário, está o aeroporto de Pernambuco. Ali permanecerá até os anos quarenta.

Trem acima, trem abaixo. Barcaça vai, barcaça vem. Avião decola, avião pousa. Pouco a pouco o Cais José Estelita foi perdendo estas funções. Chegam os nossos dias. O velho cais se torna um mero corredor de passagem para carros apressados. Parece um cemitério abandonado. O poder público, insensível ao passado, dá de ombros quando se questiona o futuro do velho rincão.

Um consórcio do ramo imobiliário o adquire. O preço? Cinquenta e cinco milhões de reais. Quase nada, em comparação aos gastos para erguer a Arena da Copa, em torno de setecentos milhões.

Ah! Para as arquibancadas festivas do futebol havia interesses concentrados. Os mesmos que querem construir o “Novo Recife”: espigões de luxo rompendo a paisagem, subjugando o velho bairro. Parafraseando o Poeta do Azul, são doze torres erguidas, duzentos homens expulsos, doze mil desejos presos, duzentos mil sonhos frustrados.

Esquecem que Pernambuco é forte e não se curva. O que começou com um brado de jovens valentes, hoje são milhares de vozes que se erguem contra a truculência do capital e a leniência dos governantes.

Um parque público. Um parque histórico estadual da Campina do Taborda. Com um memorial ao Frei Caneca, uma escola, ciclovias, brinquedos para a criançada. E árvores, muitas árvores.

A aí, desfraldar bandeiras?

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UMA HOMENAGEM AOS CATADORES DAS MARÉS

Jacques Ribemboim, Economista ambiental, Presidente da ONG Civitate.

Em alguns artigos anteriores, propusemos a urgente desapropriação do terreno localizado no Cais José Estelita, onde um grupo de empresas de construção civil intenciona construir o “Novo Recife”.

Para o povo pernambucano, vale mais preservar a área para uso socialmente integrador, integrando-a em um Parque Histórico Estadual, talvez com o nome de “Campina do Taborda”, em homenagem ao lugar onde aconteceu a rendição holandesa de 1654. Naqueles arredores, aconteceu o fuzilamento do Frei Caneca, expressão máxima da nossa história. Ainda não lhe dedicamos um Memorial. A hora é essa.

O perímetro do Parque seria, portanto, composto da linha demarcatória do terreno em disputa, acrescido do calçamento e margem ribeirinha ao longo do cais e, ainda, o Forte e a Praça das Cinco Pontas (com a destruição do famigerado viaduto que leva este nome), a área de embarque do catamarã, a futura interligação da Avenida Dantas Barreto, a Matriz de São José, a Praça Frei Caneca, os jardins sob o Viaduto Capitão Temudo, fazendo limite com o Cabanga Iate Clube.

Além de pistas, brinquedos infantis, arvoredos, jardins e outros itens obrigatórios, o Parque prestaria homenagem aos heróis pernambucanos, não somente àqueles que se destacaram na liderança de tropas, mas também ao heróis anônimos, gente simples, que por meio de seu labor diário, contribuíram para a construção da nossa identidade. Refiro-me aos homens e mulheres que vivem do mangue, dos rios, catadores de moluscos e crustáceos que até hoje estão presentes no estuário ali em frente. Não seria difícil escavar uma lagoa interna e um canal de acesso para pequenas embarcações, de modo que pudessem comercializar seus produtos da cata artesanal diretamente com o público consumidor, sejam itens frescos, sejam preparos da culinária litorânea.

Isto, sim, seria um projeto integrador. A Região Metropolitana do Recife teve sua gênese e seu desenvolvimento assentados no ritmo das marés. O mangue está tão arraigado em nossa cultura, que se fala no caranguejo como símbolo da cidade.

Desapropriar a área não significa romper ordenamento jurídico nem as regras do jogo. Está dentro da legalidade, sendo indenizando os proprietários do terreno, ressarcindo-lhes as despesas incorridas.

E em algum lugar do futuro seremos sempre lembrados como aqueles que um dia souberam optar por preservar a história e valorizar a gente simples, construindo um grande parque, em detrimento de uma modernidade arrogante que com muros excludentes muito pouco contribuem para o desenvolvimento de Pernambuco.

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ABELARDO DA HORA

(Por Jacques Ribemboim)

O pequeno Abelardo, filho de Seu Cazuza, cresceu entre os bananais da Usina Tiúma, município de São Lourenço da Mata, lugar onde nascu.

Ainda criança, mudou-se com a família para o Recife, passando a morar no bairro da Iputinga e, em seguida, no bairro da Boa Vista, ao final da década de 1930, fixando residência à Rua Visconde de Goiana, 241.

A família, contudo, não se demora neste endereço, mudando-se para a Rua dos Coelhos, 241, coincidentemente, no mesmo número do endereço anterior. Esta casa ficava na transição entre o bairro dos Coelhos e o da Boa Vista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA“Morávamos em frente à casa do Padre Venâncio. Ali perto, na Rua dos Prazeres, moravam Paulo Cavalcanti e Nélson Ferreira, nomes famosos da cena cultural pernambucana. Meus pais matricularam os filhos na Escola Técnica Profissional Masculina, mais tarde denominada Colégio Técnico Agamenon Magalhães. Eu e meu irmão, Luciano, fazíamos o curso de arte decorativa e nosso professor de pintura era Álvaro Amorim, que depois me convidou para ingressar na Escola de Belas Artes do Recife”.

O espírito irrequieto do futuro escultor o faria iniciar uma vida de ativismo cultural já a partir daquele momento, organizando junto com vizinhos a “Sociedade Cultural Estêvão Cruz”, em homenagem ao historiador perito em literatura universal.

Seus pais valorizavam muito o trabalho braçal, ao que entendiam como uma complementaridade à vida intelectual e foi com indisfarçada alegria que receberam a notícia de que o filho havia recebido uma bolsa para estudar escultura na Escola de Belas Artes.

O professor era Casimiro Correia, que tinha uma empresa de estucar, e logo o rapaz foi contratado como estagiário para ajudar nas obras do Edifício Almare, na Avenida Guararapes, onde se lembra de ter feito seus primeiros trabalhos de modelagem em gesso.

“Na Escola de Belas Artes, meu professor de escultura era Casimiro Correia, cego de um olho, e que é o autor das estátuas de santos que estão na fachada da Igreja da Soledade”.

Em 1941, quando estava prestes a encerrar o curso da Escola de Belas Artes, recebeu um convite para trabalhar na fábrica de cerâmica do Engenho São João, pertencente aos Brennand, coincidentemente, o mesmo local onde seu pai havia sido empregado por muitos anos.

“Quando eu estava terminando o curso, fui com a turma de alunos para realizar trabalho de campo no Engenho São João, levado pelo professor Casimiro, o qual havia nos orientado para que esculpíssemos trabalhadores comuns. Lá no açude, chegou Seu Ricardo Brennand, com seu Buick importado e perguntou se eu queria vender o retrato… Eu assinei, e dei-lhe de presente.”

O fato de ter ido trabalhar no Engenho São João permitiu-lhe iniciar uma longa amizade com o jovem Francisco Brennand a quem deu aulas de pintura e escultura, influenciando o renomado artista em sua decisão de desistir de cursar a Faculdade de Direito.

No começo de 1946, após alguns anos trabalhando na fábrica, inclusive morando com os Brennand na casa-grande, Abelardo se transfere para o Rio de Janeiro, onde se tornou amigo do também pernambucano Abelardo Rodrigues. Mas, da capital federal, voltaria ao Recife decepcionado com a falta de incentivos à cultura do governo de Eurico Gaspar Dutra, tornando-se membro ativo do Partido Comunista.

Em 1948, durante a 1ª Exposição de Arte na Associação dos Empregados do Comércio, que ficava na Rua da Imperatriz, “perto da livraria de Seu Jacó Berenstein”, fundou a Sociedade de Arte Moderna do Recife – SAMR, junto com grandes nomes da cena artística da cidade, tais como Hélio Feijó (que foi o primeiro presidente), Cloves Melo, Carlos Moreira, Carlos Pena Filho, dentre outros. A livraria de Seu Jacó a que se refere é a Livraria Imperatriz, em funcionamento até os dias atuais. Abelardo se exalta de satisfação quando discorre sobre o local:

“Era um verdadeiro núcleo de convergência dos intelectuais e artistas, onde os proprietários conseguiam literatura clandestina, livros em inglês, espanhol e francês sobre marxismo. Seu Jacó morava com a família na Rua Velha”.

Na Sociedade de Arte Moderna, Abelardo da Hora esforçou-se para estabelecer cursos gratuitos no Liceu de Artes e Ofícios, por onde passaram alunos como Samico, Wilton de Souza, Wellington Virgolino, Campelo Neto etc.

Mais tarde, este grupo funda o “Atelier Coletivo”, o qual faria história no Recife. A primeira sede do Atelier foi na Rua da Soledade 57, na casa que pertencia a um tio de Samico. Aqueles tempos alegres, mas de curtose financeira, Abelardo lembra com nostalgia:

“Como a gente não conseguia pagar o aluguel, o tio uma vez pegou o sobrinho na rua e deu-lhe o maior carão, no meio de todo mundo!”

Após o fechamento do Atelier, em 1958, passa a integrar, em 1958, passa a integrar o governo municipal, sob o comando do então prefeito Miguel Arraes, e participa da concepção do Movimento de Cultura Popular. Nos anos sessenta e setenta é preso diversas vezes por pertencer ao Partido Comunista.

Abelardo é uma figura emblemática e central na evolução da cena artística pernambucana. Deixou um legado extraordinário de grandes obras.

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ARTIGO PUBLICADO NO DIÁRIO DE PERNAMBUCO – RECIFE, 30/05/2014.

BOA VISTA DAS ARTES PLÁSTICAS

Jacques Ribemboim – Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano

Entre as décadas de trinta e setenta, o bairro da Boa Vista foi um celeiro de artistas e intelectuais. Estes cinquenta anos da história da cidade impressionam pelo ritmo das transformações e pela rapidez com que brotaram tantos pinceis e cinzeis, surgidos quase do nada, em um Pernambuco adormecido para as artes desde os tempos de Nassau.

É bem verdade que em todo o mundo ocorriam mudanças profundas. Conflitos europeus arrasadores fizeram emergir uma sociedade nova, urbano-industrial, voltada ao consumo, fadada ao rápido crescimento econômico e demográfico.

O Recife não se fazia diferente. Aqui, também, as velhas oligarquias rurais cediam espaço à classe média. E se, antes, a arte estava restrita aos círculos aristocráticos e às telas assinadas por estrangeiros, era a classe média, agora, que se descobria capaz de produzir e consumir arte.

Com o crescimento populacional e a chegada de milhares de famílias do interior e do exterior, os tradicionais bairros de Santo Antônio e São José se viram esgotados em sua capacidade de prover espaço para todos. Era preciso ocupar a rive gauche do Capibaribe. Deste modo, imigrantes recém-chegados – italianos, portugueses, árabes, judeus, uma multidão de nacionalidades e etnias – passaram a conviver lado a lado com brasileiros natos nas ruas e becos da Boa Vista.

Esta proximidade física entre culturas tão díspares confinadas em um único bairro teria sido decisiva para o aparecimento de uma arte típica, plural, idiossincrática e ao mesmo tempo universal, de cores, formas e conteúdos bastante diferenciados do que se produzia na Europa ou mesmo no sul do país.

É quando se promovem os primeiros salões dos chamados “independentes”, grupo formado por Cícero Dias, Lula Cardoso Ayres, Vicente do Rego Monteiro, Elezier Xavier, entre outros. Antes destes, somente o grande Telles Júnior houvera ensaiado algum tipo de linguagem autóctone, porém nunca inteiramente liberto do velho academicismo importado.

Antagonizam-se, então, modernistas e acadêmicos, cada qual proclamando sua estética. A Escola de Belas Artes, de 1932, pontifica com experimentados professores, dentre eles, Bibiano Silva, Álvaro Amorim, Balthazar da Câmara e Mário Túlio. Situada na Benfica, Paissandu, a Escola de Belas Artes era frequentada por muitos alunos que moravam na Boa Vista, de onde podiam vir caminhando.

Dentre estes, Abelardo da Hora, que, em 1952, criaria o famoso Ateliê Coletivo, juntamente com outros artistas. O Ateliê existiu na Rua da Soledade, passou pela Rua Velha e chegou à Rua da Matriz, até fechar as suas portas em 1958. A depender do ativismo laboral daquele grupo, o bairro da Boa Vista foi mais do que um berço das artes, uma autêntica incubadora de talentos.

Telles Júnior, Lula Cardozo e Hélio Feijó mantiveram ateliê na Rua da Imperatriz. Os irmãos Fédora, Joaquim e Vicente do Rego Monteiro moraram na Visconde de Suassuna, onde também residiu Murilo La Greca. O jovem João Câmara montou seu ateliê na Rua dos Prazeres (Coelhos). Francisco Brennand estudou no Colégio Osvaldo Cruz. E por aí vai: Rua Velha, Rua da Glória, Rua da Conceição, Rua da Alegria, Gervásio Pires, Soledade, Giriquiti, Lauro Villares, Ladjane Bandeira, Guita Charifker, Gilvan Samico, Elezier Xavier, Darel Valença, Ionaldo Cavalcanti, Wilton de Souza, Wellington Virgolino, José Cláudio, Marianne Peretti, Corbiniano Lins, Lêda Bancovsky, Bernardo Dimenstein, entre tantos outros.

Praticamente todos os grandes nomes da pintura pernambucana do século 20 moraram, estudaram ou trabalharam no bairro da Boa Vista. Um bairro especialíssimo.

(PS: O Projeto Boa Vista Berço das Artes Plásticas Pernambucanas é realizado pela ONG Civitate, Rua Velha 252, e recebe recursos do Funcultura/PE).

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ARTIGO PUBLICADO NA FOLHA DE PERNAMBUCO (c/correções)

RECIFE, NOS DIAS 15 E 17/09/2013

 SOBRE ORIGEM DO NOME “PERNAMBUCO”

Jacques Ribemboim,

Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano.

Os livros escolares explicam o nome de Pernambuco como sendo de origem tupi, a partir da aglutinação dos termos para’nã, que quer dizer “rio grande” ou “mar”, e buka, “buraco”. Assim, Pernambuco seria um “buraco no mar”, referindo-se à abertura que existe nos arrecifes entre Olinda e o Recife (mais provável) ou ao canal de Santa Cruz, mais ao norte, próximo a Itamaracá (menos provável). Isso está documentado no poema épico de Bento Teixeira, A Prosopopeia, de 1601: “Em o meio desta obra alpestre e dura/ Uma bôca rompeu o Mar inchado/ Que na língua dos bárbaros escura/ Paranambuco, de todos é chamado./ De Parana que é Mar, Puca – rotura/ Feita com fúria dêsse Mar salgado/ Que sem no derivar cometer míngua/ Cova do Mar se chama em nossa língua”.

Uma segunda hipótese adviria também do tupi, paranãbuku, isto é, “rio comprido”, uma provável alusão ao rio das capivaras, o Capibaribe. Mapas primitivos do século XVI assinalam um tal “Rio Pernambuco” ao norte do Cabo de Santo Agostinho.

A par destas hipóteses, levantamos outra, a de que o nome provenha de Fernambouc, boca de Fernão, local onde embarcavam o pau-brasil pera a Europa, ou de Fernandbourg , isto é “fortaleza”, “vila” ou, simplesmente, “terras de Fernando”, lembrando aquele que foi o primeiro arrendatário do Brasil: Fernando de Noronha. Por corruptela, teríamos as variações Fernambuc, Pernambouc, Pernambuche tão frequentes na cartografia de época. Há, inclusive, um mapa-múndi holandês de 1626, Nova Totius Terrarum Orbis Geographica ad Hydrographica Tabula, que aponta uma curiosa denominação afrancesada, Fernambois, “madeira de Fernando”.

Fernando de Noronha (ou Fernão de Loroña) era um rico comerciante português de provável origem judaica, que adotara o cristianismo nos anos de conversão forçada ao final do século XV. Em 1502, liderando um consórcio de cristãos-novos, alugou as terras recém-descobertas, com interesse na exploração do pau-brasil (conhecida como “madeira-judaica”, tamanha era a presença de israelitas em seu comércio). Entre 1503 e 1515, o grupo renovou quatro vezes o contrato de arrendamento à Coroa Portuguesa. Há até quem afirme que se cogitava estabelecer uma rota de fuga para os judeus da Europa.

Assim, quando em 1535, Duarte Coelho chegou à capitania trazendo família e multidão de colonos, os índios já haviam travado conhecimento com o consórcio judaico, inclusive constituindo mão-de-obra para a derrubada das árvores. Não seria difícil imaginá-los, portanto, fazendo referência às terras ou ao porto de Dom Fernão, Fernambouc, Fernanbourg ou “Pernambuco”, sem conseguirem pronunciar a letra “F”, que não existe no alfabeto tupi. Com este epíteto identificavam o lugar para os que ali chegassem.

O novo donatário não deve ter gostado nem um pouco da ideia de dar às suas terras o nome de outro. A depender dele, a capitania (ou pelo menos sua sede administrativa), deveria ser chamada de Nova Lusitânia. Note-se que na carta de doação do rei de Portugal, Dom João III, o nome Pernambuco sequer é mencionado. E para piorar as coisas, Fernando tinha origem judaica. Portanto, em sendo o nome “Pernambuco” um fato consumado, tratariam de encontrar uma origem tupi para o mesmo.

No excelente livro Pernambucânia, de Homero Fonseca, sobre a toponímia pernambucana, lê-se: “A nomenclatura não é neutra. Carrega em si ideologias, paradigmas, conflitos. Desnuda relações de poder. Omite ou acentua episódios da construção de um país contraditório.  Exalta vencedores e esquece vencidos. Expõe preconceitos e abriga contestações”.

Se “Pernambuco” derivasse mesmo do tupi, deveria ser grafado “Paranabuca”, como aconteceu com os nomes dos estados do Pará, Paraíba, Paraná e inúmeras cidades brasileiras (Paranaguá, Paranapanema etc). Poucas vezes a deformação do original teria sido tão intensa (uma síncope do [a] central e duas metafonias, uma de [a] para [e], outra de [a] para [o]). O termo “para’nã” somente virou fernam nas terras de Fernão – seria demasiada coincidência?

Pesa, adicionalmente, em favor da nova hipótese, um mapa de Du Val, do ano de 1679, onde embora já apareçam “Olinde” e “Recif”, vê-se, mais adiante – onde hoje fica o estado de Tocantins – um lugar com o nome Tupinambouc, indicando a possibilidade de que o sufixo bouc tenha sido de fato usado para designar “terras de”, neste caso, “terras dos tupinambás”.

Para concluir, confesso que torço pela versão tupiniquim. Prefiro a tradução do “buraco do mar” à das “terras de Fernando”. É mais romântica, menos capitalista. Mais nativista, menos colonizadora. Mas investigação histórica não deve se ater a vontades. Proceda-se, então, ao debate.

PS: Para o linguista e filólogo Vicente Masip, da Universidade Federal de Pernambuco, a hipótese de o nome do nosso estado derivar de Fernandbourg é plausível, admitindo-se os metaplasmos de permuta de [f] por [p], e de [nd] por [m], neste caso, explicável pela fonética bilabial do [m], assim como a do [b] que lhe sucede, exceto pelo traço de nasalidade. A perda do [r] ao final da palavra se daria por elisão de som vibrante alveolar sonoro, dado que está ao final de sílaba e, em português informal, tende a desaparecer. Na visão do renomado linguista, a parte mais difícil de ser explicada seria a transformação do som [g], oclusivo velar sonoro, em [k], oclusivo velar surdo. Para o autor do artigo, contudo, este metaplasmo poderia ser explicado pelo sincretismo fonético do tupi com o francês, haja vista a presença maciça de franceses na costa pernambucana nos primeiros anos do descobrimento, os quais faziam aliança com os índios para a exploração do pau-brasil.

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FOLHA DE PERNAMBUCO – Domingo, 23.09.2012

MEDALHAS OLÍMPICAS

Jacques Ribemboim, economista

As estatísticas olímpicas divulgadas no quadro de medalhas encobrem aspectos interessantes sobre os países participantes e podem levar o público a conclusões precipitadas, inclusive acerca da existência de “supernações esportivas”, como seria o caso dos Estados Unidos, considerados os grandes vencedores, e o da China, segunda colocada no ranking.

Decerto, se levássemos em conta uma tabela dispondo as médias de medalhas por habitante, em lugar do total de medalhas obtidas por país, os norte-americanos ocupariam um modesto quinquagésimo-primeiro lugar e a China, um septuagésimo-terceiro. Aliás, neste tipo de ordenação pelas médias – que considero bem mais significativa – os verdadeiros campeões seriam Granada, Jamaica, Trinidade e Tobago, Bahamas, por sinal, todos de maioria negra.

De um modo geral, o tamanho da população e o volume do PIB são relevantes para conquistar medalhas, mas há também uma série de atributos específicos que interferem nos resultados. Variáveis culturais, sociais, ambientais, étnicas, políticas e até religiosas podem ser decisivas no direito de subir ao pódio.

Comecemos sob a ótica da economia. Entre os dez primeiros lugares, tão ostensivamente divulgados pelo Comitê Olímpico Internacional, estão nada menos que oito dentre as dez maiores economias do planeta. Apenas o Brasil e a Índia ficaram de fora, cedendo vez à Austrália e à Coreia do Sul. Em um quadro de medalhas per capita, o Brasil, que ficou em vigésimo-segundo na classificação oficial, cairia para o sexagésimo-nono, atrás da nossa arquirrival esportiva, a Argentina. Conquistamos tão-somente uma medalha para cada grupo de nove milhões de brasileiros.

Mas se não há motivos para ufanismo, também não há para desilusão. É bom lembrar que, das duzentas e treze delegações nacionais presentes ao torneio, mais da metade não conquistou sequer um bronze, incluindo países de alto desenvolvimento humano, como Áustria, Israel, Luxemburgo e Islândia (no caso de Israel, parece que se confirma a hipótese levantada por Freud, a de que os judeus preferem exercícios intelectuais a físicos).

E em meio a qualquer tipo de análise, desponta a permanência do fosso econômico entre negros e brancos. Estes continuam fortes em modalidades consideradas como sendo “de elite”, tais como equitação, esgrima, esportes náuticos. Aqueles, por sua vez, parecem imbatíveis em esportes populares, considerados “de livre acesso”, tais como corridas, saltos, lutas. A isso, destaque-se a fraca atuação dos ameríndios em praticamente todas as modalidades, explicando, em parte, o fracasso da América Latina como um todo.

Observam-se, ainda, algumas curiosas tendências. Países de clima temperado, por exemplo, conseguem mais medalhas do que seus pares tropicais. As ditaduras de esquerda alcançam melhores resultados (Cuba, Coreia do Norte e países recém-egressos da Cortina de Ferro). Por outro lado, países de línguas originadas do latim não obtêm muitas medalhas e, se a língua falada for o português, tanto pior (Portugal conseguiu uma prata, Angola e Moçambique, nada). Em nações com população acentuadamente religiosa, a taxa de sucesso é inversamente proporcional ao fervor dos credos. Ser país-sede ou ser inventor de modalidade olímpica confere grande vantagem. Pertencer a determinados grupos étnicos, culturais ou de tradição em determinado esporte pode fazer a diferença. E assim por diante.

Esta aí um bom exercício para estatísticos e a rapaziada da econometria: estabelecer uma regressão que possa prever quantas medalhas cada país irá obter no Rio de Janeiro em 2016. Poderão ganhar muito dinheiro nas bolsas de apostas e loterias inglesas. Afinal de contas, o homem individualmente é uma incógnita, mas na média, é uma certeza matemática. Seria isso também válido para suas medalhas?

Respostas

  1. acho péssima a qualidade ambiental do Recife: não se tem parques com árvores de grande porte, as poucas que restam são muito mal cuidadas e não existe por parte da prefeitura uma programação decente de replantio, ao contrário! as pessoas pouco têm consciència da importância fundamental da existência de árvores; acho que o nosso tempo de salvar a cidade está se esgotando, mas ainda é possível

  2. Alô Jaques,
    neste contexto (Guido Mantegas) tem um grupo no Facebook que talvez você vai apreciar:
    http://www.facebook.com/groups/340046679429028/
    SDS
    Edwin

  3. Amei encontrar seu Blog, graças a seu artigo sobre o “buraco no mar” (excelente!). Eu também prefiro pelo romantismo, mas sua lógica é muito boa… deve ser Terra de Fernando mesmo! Cadastrei-me e vou te seguir…
    Verônica Nery

    • Verônica,
      Agradeço sua mensagem e vou postá-la no meu blog.
      Apareça nos encontros da APL ou UBE!
      Um abraço, Jacques.

  4. Prezado Jacques, Shalom!
    Felicitações pelo seu belo trabalho e por tão bem utilizar seus múltiplos talentos em prol do bem comum, especialmente do nosso Nordeste.
    Avante!

    • Agradeço seu comentário, Celma. É uma honra para mim receber suas gentis palavras.

  5. Sr. Jacques Ribemboim, boa noite!
    Procurei o livro sobre o Forte do Picão nas páginas da Saraiva e da Cultura. Não encontrei. Procurei na página da própria Editora e há um aviso de que não têm mais em estoque. O senhor poderia me indicar algum lugar onde está sendo vendido? Gostaria muito de lê-lo.

    • Gleidson, agradeço muito seu interesse, mas de fato o livro está esgotado. Sempre disponibilizo exemplares nas bibliotecas do Estado, Católica, UFRPE e UFPE. Talvez vc possa encontrá-los nesses locais. abraço!

  6. Estimado Jacques,
    Feliz Rosh Hashaná 5779!
    Shaná Tová Umetuká e a paz esteja convosco, Israel!
    Abraço fraterno.

    • Obrigado, Celma, um Shaná Tová Umetuka também para você e seus queridos!


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